ASFALTO QUENTE

Seus passos apurados encobrem o assassino à espreita, foi seguida por três quarteirões sem perceber. Ofegante a moça para, ela tem pressa para o amor, o encontro. Enquanto anda rapidamente seu vestido amarelo floreia-se com o vento, despertando olhares. Olhares que vão sumindo, de repente as ruas ficam vazias, ela pensa estar só e para a descansar, um homem gentil estaciona ao seu lado e pergunta se ela pode o ajudar com algum dinheiro, distraída e acostumada a recusar, quase que sem querer, ela o ignora. Põe-se a andar, mas para no terceiro passo a frente. Achava-se veloz o suficiente para tornar-se invisível, mas não era. O homem agora não tão gentil a surpreende,  joga seu delicado corpo coberto com aquele vestido amarelo de algodão, contra o muro. Tonta com a ação inesperada ,ela não reage, não levanta, só o encara. Tenta levantar e para seu azar, ele puxa o fino e delicado metal do bolso, causando finos e delicados ferimentos fundos em sua pele, branca, fina e delicada. Delicadeza que se acaba ao rugir de dor, e na terceira facada ela já não sente mais nada. Serviço feito, ele leva sua bolsa, como um troféu e a deixa jorrando sangue. Talvez a adrenalina do ataque fora tanta que a fez levantar e continuar caminhando, por mais ou menos dois metros, até cair no asfalto e gritar de novo. Frio. Aquele asfalto duro nada a confortava. O sangue vermelho e quente decorava a calçada e seu vestido amarelo. Aquele algodão combinava de certa forma com a frieza do asfalto, eles se completavam, sem perceber essa combinação ela se entrega a ele, ao asfalto, negro, áspero e temerosamente frio. Mais um rugido, como uma gazela mal abatida, ela se arrastava, a rua estava tão vazia. Agora sem pressa nenhuma ela percebia os detalhes que deixara para traz, teria percebido se não andasse tão depressa. A lua estava cheia, iluminava o asfalto,  o sangue e o vestido amarelo. Agora, aquele parecia ser o melhor lugar para se aconchegar, ela se agarrou a ele, ao asfalto, esperou a dor passar, mas ela não passava. Cansou-se de gritar, e não mais gritava. O asfalto estava quente, macio e clareado pela lua, um verdadeiro leito aconchegante. Se entregou ao sono, que apareceu de repente. Fechou os olhos e dormiu, para sempre.

FIM

A.L.Z

05:23 pm, by enervante 2

(Source: humaneuphemism)

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  04:47 pm, by enervante

(Source: leirelatent)

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Você me pede uma carta de amor. É difícil que ela não seja banal. Ou que não seja triste. Ou que não seja lúcida. Preferia dizer “te gosto”, simplesmente. Você faz cara de tristinho, e pede mais.
Te amo, pelo que você é, mas também pelo que eu sou quando estou com você.
Te amo, não somente pelo que você fez de você, como pelo que você está fazendo de mim.
Te amo, pela descoberta que você fez da melhor parte de mim mesma. E também por você ter entrado no meu coração e ignorado os caprichos, as fraquezas, as limitações, as fantasias, ter trazido à luz um mundo de coisas lindas que eu mesma ignorava. Te amo, por você ter entrado no meu corpo e me delimitado de norte ao sul, de este a oeste, e de ter feito meus sentidos vibrarem como uma orquestra. Eu te amo, e cada dia é como se fosse uma vida inteira. E eu te amo pelas mil vidas que você me dá.
Te amo, sei lá, porque às vezes você me faz sentir-me criança, e porque você fez por mim mais do que qualquer criatura faria para que eu fosse boa e qualquer destino para que eu fosse feliz.
E tudo isso, simplesmente, sendo você.
Te amo com uma ternura inadequada. E te quero com exclusividade. Com desprendimento, com desespero, e com paz.
E amo o menino que há em você.
E o homem.
Amo sua posse. Ela vem devagarinho. Como o mar. E me sinto uma praia pacificada.
Amo até, que doidice, o teu desamor.

Esse esfacelamento que cada ausência tua fez de mim. Essas ausências estão com você, são pedaços de mim, calçados em ti como feridas.
Cada limite do teu corpo, meu amor, tem um caco de mim. E eu tenho ciúmes desses cacos.
Era a minha intimidade, minha virgindade. NÓS, meu amor, sou eu. Você, é o que eu rio, o que eu choro, cada gota de água que eu bebo.
Te amo, meu amor, por aquele botequim que a gente sentava e eu vendo tuas mãos, aquelas mãos fortes de que eu conheço todos os detalhes.
Te amo pelos nossos risos nervosos, pela cicatriz dos teus beijos no meu corpo, por aquele abraço de surpresa pelas costas, o cheiro na nuca que não era cheiro, era carinho. Carinho demais da conta.
Lembra daquela noite? Daquela… foram tantas, né? Aquela do sofá que eu tava com medo que acabasse, que você não viesse no dia seguinte, que você me deixasse.
Você jurava que não. Mas isso acontece, bobo. A gente se deixou. E você pede carta de amor, assim de bobeira, não é? Ou por que é? Naquela noite eu quis fazer de você uma massa, uma forma, uma pedra, um cais, uma cruz. E me pregar nela.
Com você.
Amor tem dessas coisas, bem. A gente vai se dando, se dando, e acaba esquecendo do choro, da mágoa, das esperas, dos ressentimentos. Fica tudo uma coisa só. Poderosa. Massacrante. Indestrutível. Fica aquilo queimando dentro da gente. Ardendo. Como um fogo que não se apagasse mais.
Te amo. E te perdoo. Os cacos, as cicatrizes, aquela dor tão grande de te perder, deixa isso pra lá.
Valeu a fissura que hoje eu sou. Uma fissura só. Valeu, amor, por tudo que eu quis e você não soube.
04:42 pm, by enervante
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(Source: vinebox)

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(Source: owluminati)

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(Source: liveloveevintage)

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ivalentim:

Pelas mil vidas que você me dá.

ivalentim:

Pelas mil vidas que você me dá.

(Source: ange-supposee)

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